{"id":12531,"date":"2017-06-14T19:05:37","date_gmt":"2017-06-14T22:05:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pontoinfinito.com.br\/MundoMaker\/?p=1005"},"modified":"2017-06-14T19:05:37","modified_gmt":"2017-06-14T22:05:37","slug":"finlndia-reforma-sistema-educacional-para-preparar-alunos-para-era-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/finlndia-reforma-sistema-educacional-para-preparar-alunos-para-era-digital\/","title":{"rendered":"Finl\u00e2ndia reforma sistema educacional para preparar alunos para era digital"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quase duas d\u00e9cadas, a Finl\u00e2ndia \u00e9 famosa internacionalmente por ter um dos melhores sistemas educacionais do mundo. Seus estudantes de 15 anos ficam geralmente nos primeiros lugares dos rankings do Pisa, teste internacional que avalia conhecimentos em leitura, matem\u00e1tica e ci\u00eancias (na edi\u00e7\u00e3o mais recente, o Brasil amargou a 66\u00aa posi\u00e7\u00e3o em matem\u00e1tica, por exemplo, de um total de 72 pa\u00edses avaliados).<\/p>\n<p>A habilidade da Finl\u00e2ndia em produzir resultados acad\u00eamicos impressionantes \u00e9 fascinante para muitos, j\u00e1 que as crian\u00e7as do pa\u00eds s\u00f3 come\u00e7am a frequentar a educa\u00e7\u00e3o formal aos sete anos. Al\u00e9m disso, eles t\u00eam jornadas mais curtas, f\u00e9rias mais longas, poucos deveres de casa e n\u00e3o fazem provas.<\/p>\n<p>Mas, apesar desse sucesso, a Finl\u00e2ndia est\u00e1 reformando seu sistema, algo que o pa\u00eds considera vital em uma era digital na qual as crian\u00e7as n\u00e3o dependem mais apenas dos livros e das aulas para adquirir conhecimento. Em agosto de 2016, tornou-se obrigat\u00f3rio para todas as escolas finlandesas ensinar de maneira mais colaborativa. Agora, permite-se que os alunos escolham um tema que seja relevante para eles &#8211; e suas mat\u00e9rias ser\u00e3o baseadas nessa escolha.<\/p>\n<p>Uma das chaves da mudan\u00e7a foi fazer um uso inovador da tecnologia e de fontes de conhecimento fora da escola, como especialistas e museus. O objetivo dessa forma de ensinar (conhecida em ingl\u00eas como &#8220;project or phenomenon-based learning&#8221; ou &#8220;aprendizagem baseada em projetos\/fen\u00f4menos&#8221;) \u00e9 oferecer \u00e0s crian\u00e7as as habilidades que elas precisam para se desenvolver no s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>&#8220;Tradicionalmente, o ensino \u00e9 definido com uma lista de mat\u00e9rias e informa\u00e7\u00f5es que uma pessoa deve adquirir, por exemplo, matem\u00e1tica e gram\u00e1tica. Mas, na vida real, nosso c\u00e9rebro n\u00e3o est\u00e1 dividido em disciplinas, n\u00f3s pensamos de uma maneira muito hol\u00edstica. E quando voc\u00ea pensa nos problemas do mundo atual (crise global, imigra\u00e7\u00e3o, economia, era da p\u00f3s-verdade), realmente percebemos que n\u00e3o demos \u00e0s nossas crian\u00e7as as ferramentas para lidar com esse universo intercultural. Acho que \u00e9 um grande erro fazer as crian\u00e7as acreditarem que o mundo \u00e9 simples e que, se aprenderem certas informa\u00e7\u00f5es, estar\u00e3o prontas para encar\u00e1-lo&#8221;, analisa Kirsti Lonka, professora de psicologia educativa na Universidade de Helsinque.<\/p>\n<p>Entre as habilidades necess\u00e1rias, segundo Kirsti, est\u00e3o o pensamento cr\u00edtico para identificar not\u00edcias falsas e evitar &#8220;cyberbullying&#8221; (ataques ofensivos pela internet) e a capacidade t\u00e9cnica de instalar software antiv\u00edrus e conectar o computador a uma impressora. &#8220;Aprender a pensar e a entender, essas s\u00e3o as habilidades que importam\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>A Escola Hauho<\/strong><\/p>\n<p>A rep\u00f3rter Penny Spiller, da BBC, conheceu de perto uma das escolas finlandesas e relata o que viu por l\u00e1:<\/p>\n<p>Em um dia gelado, em uma regi\u00e3o remota no sul da Finl\u00e2ndia, os pensamentos dos alunos de 12 anos na sala est\u00e3o em um lugar distante: na Roma Antiga. O professor est\u00e1 mostrando uma reconstru\u00e7\u00e3o em v\u00eddeo &#8211; projetada sobre a lousa inteligente e interativa &#8211; do dia em que a erup\u00e7\u00e3o do monte Ves\u00favio destruiu a cidade de Pompeia. Os estudantes formam grupos e come\u00e7am a usar seus minilaptops.<\/p>\n<p>A tarefa dada a eles \u00e9 comparar a Roma Antiga \u00e0 Finl\u00e2ndia moderna. Um grupo analisa os banheiros romanos e os spas de luxo de hoje; outro compara o Coliseu aos est\u00e1dios esportivos atuais. Eles usam impressoras 3D para criar uma vers\u00e3o em miniatura dos edif\u00edcios da \u00e9poca, que logo ser\u00e3o parte de um jogo que envolver\u00e1 toda a classe.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de uma aula de hist\u00f3ria diferente\u201d, conta o professor Aleksis Stenholm, que trabalha na Escola Hauho, de Ensino M\u00e9dio. Nela, os alunos tamb\u00e9m est\u00e3o aprendendo habilidades tecnol\u00f3gicas, de investiga\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o cultural. \u201cCada grupo est\u00e1 virando especialista no seu tema, que logo ser\u00e1 apresentado ao resto da sala\u201d, explica. O jogo marca o fim do projeto, que \u00e9 realizado em conjunto com aulas normais.<\/p>\n<p>A Escola Hauho est\u00e1 em uma regi\u00e3o de bosques e lagos a 40 minutos de carro da cidade de Hameenlinna. Com apenas 230 alunos de idade entre 7 e 15 anos, tem um ambiente acolhedor.<\/p>\n<p>Os estudantes deixam seus sapatos na entrada. Em algumas salas, em vez de cadeiras, usam bolas de Pilates. H\u00e1 barras nas portas para fazer flex\u00e3o de bra\u00e7o. Os professores n\u00e3o se importam com o uso de celular na aula. Consideram bom que as crian\u00e7as o valorizem como ferramenta de pesquisa, e n\u00e3o s\u00f3 para se comunicarem com os amigos.<\/p>\n<p>Nesse dia frio, os alunos mais velhos se colam a seus smartphones na hora do almo\u00e7o, enquanto alguns dos mais novos se amontoam l\u00e1 fora, na neve, esperando para usar a pista de skate, os campos de futebol ou a quadra de basquete. O diretor, Pekka Paappanen, \u00e9 um forte defensor do sistema de ensino baseado em projetos e busca de v\u00e1rias maneiras integr\u00e1-lo oficialmente ao curr\u00edculo escolar.<\/p>\n<p>&#8220;Discutimos ideias com os professores e depois eu garanto o tempo e o espa\u00e7o necess\u00e1rios para que elas as desenvolvam. Acredito que isso d\u00e1 mais poder aos professores, mas eles precisam se dar conta de que n\u00e3o podem fazer tudo. Estamos deixando para tr\u00e1s algumas velhas tradi\u00e7\u00f5es, mas fazemos isso de forma lenta. O trabalho de ensinar nossas crian\u00e7as \u00e9 muito importante e n\u00e3o podemos cometer erros&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Um dos maiores projetos do ano passado foi sobre o tema da imigra\u00e7\u00e3o, abordado em um momento em que o fluxo de pessoas entrando na Europa ocupava todas as capas de jornais de todo o mundo. O tema foi escolhido ao perceberem que muitos alunos tinham pouca experi\u00eancia pessoal com imigrantes ou com a imigra\u00e7\u00e3o. O tema foi incorporado, por exemplo, \u00e0s aulas de alem\u00e3o e de religi\u00e3o. Os alunos de 15 anos tiveram de fazer pesquisas de opini\u00e3o com moradores locais sobre a imigra\u00e7\u00e3o e visitaram um centro de refugiados para entrevist\u00e1-los. Eles compartilharam suas descobertas por meio de uma confer\u00eancia em v\u00eddeo com uma escola na Alemanha, que desenvolveu um projeto similar.<\/p>\n<p>&#8220;A rea\u00e7\u00e3o dos alunos foi algo muito forte. Eles come\u00e7aram a pensar e a questionar suas pr\u00f3prias opini\u00f5es. Se eu sozinho tivesse ensinado sobre o tema, usando duas ou tr\u00eas aulas, por exemplo, o efeito teria sido muito diferente&#8221;, lembra Stenholm.<\/p>\n<p>Apesar das ideias inovadoras, o conceito da &#8220;aprendizagem baseada em projetos&#8221; tem seus cr\u00edticos. Alguns, como o professor de f\u00edsica Jussi Tanhuanppa, temem que esse m\u00e9todo n\u00e3o aprofunde suficientemente o conhecimento sobre cada tema e que isso dificulte sua jornada rumo \u00e0 universidade. Ele d\u00e1 aulas em Lieto, nos arredores da cidade de Turku. Conta que, de um grupo de jovens que aprendia matem\u00e1tica em n\u00edvel avan\u00e7ado ap\u00f3s os 16 anos, 30% precisaram voltar ao n\u00edvel anterior. Tanhuanppa tamb\u00e9m teme que isso acentue a diferen\u00e7a entre alunos mais e menos capazes &#8211; uma diferen\u00e7a que, historicamente, \u00e9 bastante pequena na Finl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>&#8220;Essa forma de ensinar \u00e9 genial para as crian\u00e7as mais &#8216;brilhantes&#8217;, que entendem quais conhecimentos devem ser levados de um experimento. D\u00e1 a elas liberdade de aprender no seu pr\u00f3prio ritmo e de tomar o pr\u00f3ximo passo quando est\u00e3o prontas. Mas n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa para os alunos que t\u00eam menos capacidade de entender e que precisam de mais assist\u00eancia. A diferen\u00e7a entre os mais brilhantes e os menos capazes j\u00e1 come\u00e7ou a aumentar. E eu tenho medo que isso s\u00f3 piore&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>Outros cr\u00edticos dizem que isso pode aumentar a carga de trabalho dos professores e colocar os mais velhos, dotados de menos conhecimentos digitais, em desvantagem em rela\u00e7\u00e3o aos mais novos. Jari Salminen, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Helsinque, afirma que m\u00e9todos de ensino similares foram testados no passado, mas fracassaram. &#8220;Muitas pessoas de fora me perguntam: &#8216;por que voc\u00eas est\u00e3o mudando o sistema, se ainda conseguem os melhores resultados? E para mim \u00e9 um mist\u00e9rio, porque n\u00e3o temos nenhuma informa\u00e7\u00e3o vinda dos col\u00e9gios de que o m\u00e9todo baseado em projetos esteja melhorando os resultados\u201d.<\/p>\n<p>Anneli Rautiainen, da Ag\u00eancia Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o da Finl\u00e2ndia, admite que h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es a serem levadas em considera\u00e7\u00e3o e afirma que mudan\u00e7as est\u00e3o sendo introduzidas de maneira gradual. Por enquanto, de acordo com as novas regras, as escolas s\u00f3 precisam incorporar um projeto por ano para seus alunos. &#8220;Queremos encorajar os professores a ensinar assim e os alunos a aprenderem, mas estamos come\u00e7ando devagar. Ainda se ensinam mat\u00e9rias e existem metas para cada uma delas, mas tamb\u00e9m queremos que sejam introduzidas as habilidades nesse tipo de aprendizagem&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Mas quais s\u00e3o os resultados? &#8220;N\u00e3o somos muito amantes das estat\u00edsticas neste pa\u00eds, em termos gerais, ent\u00e3o n\u00e3o estamos planejando medir o sucesso disso, ao menos por enquanto. Esperamos que possamos perceber isso nos resultados de aprendizagem das nossas crian\u00e7as e nas avalia\u00e7\u00f5es internacionais, como o Pisa\u201d, diz Rautiainen.<\/p>\n<p>Ainda que nem todos estejam convencidos dessa revolu\u00e7\u00e3o do ensino finland\u00eas, a maioria dos alunos e pais de Hauho a v\u00ea como positiva.<\/p>\n<p>Sara, de 14 anos, disse que as aulas &#8220;n\u00e3o cansam tanto e que s\u00e3o muito mais interessantes&#8221;. Ana, tamb\u00e9m de 14 anos, conta que sua irm\u00e3 mais velha tem inveja dela porque &#8220;a escola \u00e9 muito mais divertida agora do que era na sua \u00e9poca&#8221;. A m\u00e3e Kaisa Kepsu garante que a maioria dos pais que conhece v\u00ea com bons olhos as mudan\u00e7as feitas no curr\u00edculo. &#8220;Houve uma discuss\u00e3o mais ampla sobre a necessidade de garantir que as crian\u00e7as ainda estejam aprendendo as informa\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas e eu concordo com isso. Mas tamb\u00e9m \u00e9 importante motiv\u00e1-los mais e fazer que o mundo seja mais interessante. N\u00e3o vejo mal nenhum em tornar a escola mais divertida&#8221;, conclui.<\/p>\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es do G1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quase duas d\u00e9cadas, a Finl\u00e2ndia \u00e9 famosa internacionalmente por ter um dos melhores sistemas educacionais do mundo. 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