{"id":12525,"date":"2017-04-28T18:59:29","date_gmt":"2017-04-28T21:59:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pontoinfinito.com.br\/MundoMaker\/?p=993"},"modified":"2017-04-28T18:59:29","modified_gmt":"2017-04-28T21:59:29","slug":"faculdades-privadas-decidem-incluir-habilidades-socioemocionais-nas-aulas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/faculdades-privadas-decidem-incluir-habilidades-socioemocionais-nas-aulas\/","title":{"rendered":"Faculdades incluem habilidades socioemocionais nos vestibulares e nas aulas"},"content":{"rendered":"<p>A preocupa\u00e7\u00e3o em formar profissionais com capacidades que v\u00e3o al\u00e9m de dom\u00ednios t\u00e9cnicos e cognitivos tem levado algumas institui\u00e7\u00f5es privadas de ensino superior a incorporar habilidades socioemocionais em seus vestibulares e aulas. Essa tend\u00eancia surgiu na esteira de pesquisas que mostram o impacto positivo de caracter\u00edsticas como persist\u00eancia e extrovers\u00e3o para indicadores de sucesso e de uma demanda cada vez maior de profissionais com essas habilidades pelo mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O Hospital Albert Einstein, por exemplo, decidiu avaliar habilidades como empatia e capacidade de argumenta\u00e7\u00e3o dos 256 vestibulandos que chegaram \u00e0 segunda fase do seu vestibular de medicina. Os que realizaram essa etapa foram informados de que precisariam interagir com um ator que representaria seu colega de apartamento. Ele revelaria ser usu\u00e1rio de drogas e a tarefa seria dar apoio ao &#8220;amigo&#8221; e conversar sobre poss\u00edveis caminhos para solucionar o problema.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o existam respostas certas ou erradas para testes como esse,\u00a0o desempenho dos alunos \u00e9 julgado por um time de avaliadores e representa 25% de sua nota final. O resultado tem sido t\u00e3o relevante que metade dos candidatos que passam para a segunda fase acaba perdendo sua coloca\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 um vestibular muito concorrido. Todos os que passam para a segunda fase s\u00e3o inteligentes. Mas quem nunca conheceu algu\u00e9m brilhante na parte cognitiva que, por falta de estabilidade emocional, se perdeu no meio do caminho?&#8221;, afirma Alexandre Holthausen, diretor da gradua\u00e7\u00e3o em medicina do Einstein.<\/p>\n<p>&#8220;Ser inteligente, mas incapaz de se relacionar com os outros \u00e9 algo que n\u00e3o tem possibilidade de dar certo na vida real&#8221;, concorda Carolina da Costa, vice-presidente de gradua\u00e7\u00e3o do Insper. A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m avalia habilidades socioemocionais na segunda fase de seu vestibular de engenharia. O teste tem o formato de debates, nos quais um grupo de alunos vai se revezando no papel de moderador de temas pol\u00eamicos. &#8220;Os que v\u00e3o bem s\u00e3o os que sabem ouvir, construir bons argumentos e ser flex\u00edveis\u201d, diz. Tanto o Einstein quanto o Insper estruturaram o curr\u00edculo de suas gradua\u00e7\u00f5es para avaliar o desenvolvimento de tais habilidades. &#8220;N\u00e3o adianta se restringir ao vestibular&#8221;, ressalta Holthausen.<\/p>\n<p>A Kroton Educacional \u00e9 outra que incorporou o est\u00edmulo ao desenvolvimento de determinados tra\u00e7os de personalidade em suas gradua\u00e7\u00f5es. Uma das causas foi a elevada taxa de evas\u00e3o, que faz metade dos alunos abandonar seus cursos. &#8220;Eles falam em falta de dinheiro ou dificuldade para acompanhar as disciplinas, mas come\u00e7amos a perceber que o principal problema era falta de resili\u00eancia\u201d, explica Mario Ghio, vice-presidente acad\u00eamico da institui\u00e7\u00e3o. Em 2016, a Kroton criou uma s\u00e9rie de disciplinas para ajudar a nivelar alunos com patamares de conhecimentos diferentes e lan\u00e7ou um programa para o desenvolvimento de projetos de vida, em que os calouros tra\u00e7am metas com a tutoria de veteranos. &#8220;Tem ajudado muito eles ouvirem colegas mais experientes contarem que passaram pelos mesmos desafios. \u00c9 muito mais leg\u00edtimo do que ouvir conselhos dos professores&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p><strong>Disputa por vagas<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Ghio, nove em cada dez atributos exigidos por empregadores em vagas para profissionais iniciantes est\u00e3o mais pr\u00f3ximos de caracter\u00edsticas da personalidade do que de habilidades t\u00e9cnicas. A institui\u00e7\u00e3o fez essa an\u00e1lise com base nos an\u00fancios de vagas no portal que mant\u00e9m para conectar empregadores e universit\u00e1rios que est\u00e3o se formando. Uma das compet\u00eancias mais buscadas \u00e9 &#8220;disposi\u00e7\u00e3o para o aprendizado cont\u00ednuo&#8221;. Outras caracter\u00edsticas buscadas s\u00e3o a capacidade de trabalhar em grupo, o foco em resultados e o comprometimento.<\/p>\n<p>A descoberta refor\u00e7a conclus\u00f5es de pesquisas acad\u00eamicas recentes. Um estudo feito pelo economista David Deming, da Universidade Harvard, mostra que entre 1980 e 2012, nos Estados Unidos, a propor\u00e7\u00e3o de empregos que demandavam habilidades sociais em rela\u00e7\u00e3o ao total de vagas cresceu dez pontos percentuais. No mesmo per\u00edodo, posi\u00e7\u00f5es intensivas em habilidades matem\u00e1ticas, como inform\u00e1tica e engenharia,\u00a0encolheram tr\u00eas pontos. Em suas conclus\u00f5es, Deming ressalta que os atributos sociais t\u00eam se tornado mais importantes porque &#8220;computadores ainda s\u00e3o muito pobres na simula\u00e7\u00e3o de intera\u00e7\u00f5es humanas&#8221;.<\/p>\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es do jornal Folha de S.Paulo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A preocupa\u00e7\u00e3o em formar profissionais com capacidades que v\u00e3o al\u00e9m de dom\u00ednios t\u00e9cnicos e cognitivos tem levado algumas institui\u00e7\u00f5es privadas de ensino superior a incorporar habilidades socioemocionais em seus vestibulares e aulas. 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