{"id":12521,"date":"2017-03-24T18:54:26","date_gmt":"2017-03-24T21:54:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pontoinfinito.com.br\/MundoMaker\/?p=985"},"modified":"2017-03-24T18:54:26","modified_gmt":"2017-03-24T21:54:26","slug":"como-a-finlndia-e-a-coria-do-sul-transformaram-seus-sistemas-educacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/como-a-finlndia-e-a-coria-do-sul-transformaram-seus-sistemas-educacionais\/","title":{"rendered":"Como a Finl\u00e2ndia e a Cor\u00e9ia do Sul transformaram seus sistemas educacionais"},"content":{"rendered":"<p>Cinquenta anos atr\u00e1s, tanto a Cor\u00e9ia do Sul quanto a Finl\u00e2ndia tinham sistemas educacionais terr\u00edveis.\u00a0A Finl\u00e2ndia estava em risco de se tornar o \u201centeado\u201d econ\u00f4mico da Europa e a Cor\u00e9ia do Sul havia sido devastada pela guerra civil.\u00a0No entanto, ao longo do \u00faltimo meio s\u00e9culo, ambos transformaram suas escolas e agora s\u00e3o aclamados internacionalmente por seus resultados educacionais extremamente elevados.<\/p>\n<p>O MundoMaker est\u00e1 totalmente alinhado com o formato da Finl\u00e2ndia e acredita que \u00e9 preciso repensar o m\u00e9todo de ensino atual e fazer mudan\u00e7as profundas. A reportagem abaixo analisa os dois modelos de educa\u00e7\u00e3o e tem como objetivo fazer voc\u00ea refletir, avaliar e saber o que \u00e9 feito em outros cantos do mundo.<\/p>\n<p><strong>O modelo coreano: determina\u00e7\u00e3o e trabalho duro, muito duro.<\/strong><\/p>\n<p>Por mil\u00eanios, em algumas partes da \u00c1sia, a \u00fanica maneira de ascender \u00e0 escalada socioecon\u00f4mica e encontrar um trabalho seguro era passar por um exame no qual o fiscal agia como um \u201csubstituto do imperador\u201d, diz Marc Tucker, presidente e CEO do <em>National Center on Education and the Economy<\/em> (Centro Nacional de Educa\u00e7\u00e3o e Economia).\u00a0O exame exigia um completo dom\u00ednio de conhecimentos e era um penoso rito de passagem.\u00a0Hoje, muitos dos pa\u00edses do confucionismo ainda respeitam o tipo de conquista educacional que \u00e9 obtida por meio de um teste de cultura.<\/p>\n<p>Entre esses pa\u00edses, a Cor\u00e9ia do Sul se destaca como o mais extremo, e sem d\u00favida, o mais bem-sucedido.\u00a0Os coreanos alcan\u00e7aram um feito not\u00e1vel: o pa\u00eds est\u00e1 100% alfabetizado e na vanguarda dos testes comparativos internacionais nessa conquista, incluindo testes de pensamento cr\u00edtico e an\u00e1lise.\u00a0Mas esse sucesso vem com um pre\u00e7o: os alunos est\u00e3o sob uma enorme e implac\u00e1vel press\u00e3o para chegar a isso.\u00a0O talento n\u00e3o \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o, porque aquela cultura acredita em trabalho duro e dilig\u00eancia acima de tudo, n\u00e3o havendo desculpas para o fracasso.\u00a0As crian\u00e7as estudam durante todo o ano, tanto na escola como com tutores. Se voc\u00ea estuda bastante, voc\u00ea pode se tornar esperto o suficiente.<\/p>\n<p>&#8220;Os coreanos basicamente acreditam ter que passar por esse per\u00edodo realmente dif\u00edcil para ter um grande futuro&#8221;, afirma Andreas Schleicher, diretor de educa\u00e7\u00e3o e habilidades do PISA e consultor especial sobre pol\u00edtica educacional da OCDE.\u00a0&#8220;\u00c9 uma quest\u00e3o de infelicidade de curto prazo para uma felicidade de longo prazo&#8221;. N\u00e3o s\u00e3o apenas os pais que pressionam seus filhos.\u00a0A pr\u00f3pria cultura, que tradicionalmente celebra a conformidade, a ordem e a press\u00e3o provinda de outros alunos, tamb\u00e9m pode aumentar as expectativas de desempenho.\u00a0Essa atitude da comunidade se expressa principalmente na educa\u00e7\u00e3o infantil.\u00a0Nas escolas da Cor\u00e9ia, como em outros pa\u00edses asi\u00e1ticos, as classes s\u00e3o muito grandes &#8211; o que seria extremamente indesej\u00e1vel para, digamos, um pai americano.\u00a0Mas, na Cor\u00e9ia, o objetivo \u00e9 que o professor conduza a turma como uma comunidade, para que os relacionamentos de companheirismo se desenvolvam.\u00a0Nas pr\u00e9-escolas americanas, o foco para os professores \u00e9 desenvolver o relacionamento individual com os alunos, intervindo regularmente em relacionamentos entre colegas.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que est\u00e1 claro que h\u00e1 melhores e piores maneiras de educar as nossas crian\u00e7as&#8221;, ressalta Amanda Ripley, autora de <em>The Smartest Kids in the World: And How They Got That Way<\/em> (As crian\u00e7as mais inteligentes do mundo: e como elas chegaram a isso). &#8220;Ao mesmo tempo, se eu tivesse que escolher entre uma educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos Estados Unidos e uma educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia coreana para o meu pr\u00f3prio filho, eu escolheria, muito relutantemente, o modelo coreano.\u00a0A realidade \u00e9 que no mundo moderno, a crian\u00e7a vai ter que saber como aprender, como trabalhar duro e como persistir ap\u00f3s o fracasso.\u00a0O modelo coreano ensina isso.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O modelo finland\u00eas: escolha extracurricular, motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca.<\/strong><\/p>\n<p>Na Finl\u00e2ndia, por outro lado, os alunos est\u00e3o aprendendo os benef\u00edcios de ambos, rigor e flexibilidade.\u00a0O modelo finland\u00eas, dizem os educadores, \u00e9 uma utopia. L\u00e1, a escola \u00e9 o centro da comunidade.\u00a0A escola oferece n\u00e3o apenas servi\u00e7os educacionais, mas tamb\u00e9m servi\u00e7os sociais.\u00a0Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 sobre a cria\u00e7\u00e3o da identidade do indiv\u00edduo. A cultura finlandesa valoriza a motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca e a busca do interesse pessoal.\u00a0As crian\u00e7as t\u00eam um dia de escola relativamente curto e rico em atividades extracurriculares patrocinadas pela escola, porque, culturalmente, os finlandeses acreditam que a aprendizagem importante acontece fora da sala de aula.\u00a0Um ter\u00e7o das aulas que os alunos t\u00eam na escola secund\u00e1ria s\u00e3o eletivas e eles podem at\u00e9 mesmo escolher em quais exames v\u00e3o se matricular.\u00a0\u00c9 uma cultura de baixa tens\u00e3o e que valoriza uma grande variedade de experi\u00eancias de aprendizagem.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o exclui o rigor acad\u00eamico, motivado pela hist\u00f3ria de um pa\u00eds preso entre as superpot\u00eancias europeias. &#8220;A chave para isso \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o.\u00a0Os finlandeses realmente n\u00e3o existem fora da Finl\u00e2ndia&#8221;, diz Pasi Sahlberg, educador finland\u00eas e autor de <em>Finnish Lessons: What the World Can Learn From Educational Change in Finland (Li\u00e7\u00f5es Finlandesas: O que o mundo pode aprender com a mudan\u00e7a educacional na Finl\u00e2ndia). <\/em>&#8220;Isso faz com que as pessoas levem a educa\u00e7\u00e3o mais a s\u00e9rio.\u00a0Por exemplo, ningu\u00e9m mais fala essa l\u00edngua engra\u00e7ada que falamos.\u00a0A Finl\u00e2ndia \u00e9 bil\u00edngue e todos os alunos aprendem finland\u00eas e sueco.\u00a0E todo finland\u00eas que quer ser bem sucedido tem que dominar pelo menos mais uma outra l\u00edngua, muitas vezes o ingl\u00eas, mas geralmente tamb\u00e9m aprende alem\u00e3o, franc\u00eas, russo e muitas outras l\u00ednguas.\u00a0Mesmo as crian\u00e7as menores compreendem que ningu\u00e9m mais fala finland\u00eas e, se querem fazer qualquer outra coisa na vida, precisam aprender l\u00ednguas.&#8221;<\/p>\n<p>Na Finl\u00e2ndia, apenas um em cada dez candidatos a programas de ensino \u00e9 admitido.\u00a0Depois de um fechamento em massa de 80% das faculdades de forma\u00e7\u00e3o de professores na d\u00e9cada de 1970, apenas os melhores programas de treinamento universit\u00e1rio permaneceram, elevando o status dos educadores no pa\u00eds.\u00a0Os professores na Finl\u00e2ndia lecionam 600 horas por ano, passando o resto do tempo em desenvolvimento profissional, encontrando-se com colegas, alunos e suas fam\u00edlias.\u00a0Nos Estados Unidos, os professores est\u00e3o em sala de aula 1.100 horas por ano, com pouco tempo para colabora\u00e7\u00e3o, retroalimenta\u00e7\u00e3o ou desenvolvimento profissional.<\/p>\n<p><strong>Como<\/strong> <strong>os americanos podem mudar a cultura educacional<\/strong><\/p>\n<p>Como o palestrante do TED, Sir Ken Robinson, observou em sua palestra de 2013 <em>\u201cHow to escape education\u2019s death valley<\/em><em>\u201d<\/em> (<a href=\"https:\/\/translate.googleusercontent.com\/translate_c?depth=1&amp;hl=pt-PT&amp;prev=search&amp;rurl=translate.google.com.br&amp;sl=en&amp;sp=nmt4&amp;u=http:\/\/www.ted.com\/talks\/ken_robinson_how_to_escape_education_s_death_valley&amp;usg=ALkJrhhoI80VFLiBFB2YfLaG0q5DhosmtA\">Como escapar do vale da morte da educa\u00e7\u00e3o<\/a>), quando se tratam de problemas educacionais americanos atuais &#8220;a crise de abandono \u00e9 apenas a ponta do iceberg.\u00a0O que n\u00e3o contam s\u00e3o todas as crian\u00e7as que est\u00e3o na escola, mas que est\u00e3o desvinculadas dela, que n\u00e3o gostam dela e que n\u00e3o recebem nenhum benef\u00edcio real dela&#8221;. Mas isto n\u00e3o tem que ser assim.<\/p>\n<p>Como observa Amanda Ripley, &#8220;cultura \u00e9 uma coisa que muda.\u00a0\u00c9 mais male\u00e1vel do que pensamos.\u00a0Cultura \u00e9 como este \u00e9ter que tem todos os tipos de coisas girando em torno dele, alguns dos quais s\u00e3o ativados e outros est\u00e3o latentes.\u00a0Ao acontecer um imperativo econ\u00f4mico, uma mudan\u00e7a na lideran\u00e7a ou um acidente na hist\u00f3ria, essas coisas se ativam&#8221;. A boa not\u00edcia \u00e9: &#8220;N\u00f3s, os americanos, temos muitas coisas em nossa cultura que apoiariam um sistema educacional muito forte, como uma ret\u00f3rica de longa data sobre a igualdade de oportunidades e uma meritocracia forte e leg\u00edtima&#8221;, diz Ripley.<\/p>\n<p>Uma raz\u00e3o pela qual n\u00e3o fizemos muito progresso academicamente nos \u00faltimos cinquenta anos \u00e9 porque n\u00e3o foi economicamente crucial para as crian\u00e7as americanas dominar sofisticadas habilidades de resolu\u00e7\u00e3o de problemas e pensamento cr\u00edtico para sobreviver.\u00a0Mas isso n\u00e3o \u00e9 mais verdade.\u00a0&#8220;H\u00e1 uma defasagem para as culturas poderem acompanhar as realidades econ\u00f4micas, e agora mesmo estamos vivendo essa defasagem&#8221;, diz Ripley.\u00a0&#8220;Ent\u00e3o, nossos filhos n\u00e3o est\u00e3o crescendo com o tipo de habilidades ou determina\u00e7\u00e3o para sobreviver na economia global&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cSomos prisioneiros das imagens e experi\u00eancias de educa\u00e7\u00e3o que tivemos\u201d, afirma Tony Wagner, especialista em resid\u00eancia no centro de inova\u00e7\u00e3o educacional de Harvard e autor de<em> The Global Achievement Gap<\/em> (A lacuna na conquista global). &#8220;Queremos escolas para os nossos filhos que espelhem a nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia ou o que pens\u00e1vamos que quer\u00edamos.\u00a0Isso limita severamente nossa capacidade de pensar criativamente em um tipo diferente de educa\u00e7\u00e3o.\u00a0Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma maneira que puxe essa linha de montagem de encontro ao mundo do s\u00e9culo XXI.\u00a0Precisamos de uma grande revis\u00e3o.&#8221; De fato.\u00a0Hoje, a cultura americana de escolha coloca o \u00f4nus sobre os pais para encontrar as escolas &#8220;certas&#8221; para os filhos, ao inv\u00e9s de confiar que todas as escolas sejam capazes de preparar nossas crian\u00e7as para a idade adulta.\u00a0Nossa obsess\u00e3o com o talento coloca o \u00f4nus sobre os alunos para que sejam &#8220;inteligentes&#8221;, mais do que sobre a capacidade dos adultos para ensin\u00e1-los.\u00a0E nosso sistema antiquado para financiar escolas faz com que os valores de propriedade sejam o \u00e1rbitro das despesas por aluno, e n\u00e3o os valores reais.<\/p>\n<p>Nas culturas de educa\u00e7\u00e3o mais bem sucedidas do mundo, o sistema \u00e9 que \u00e9 respons\u00e1vel pelo sucesso do aluno, n\u00e3o apenas os pais, n\u00e3o apenas o aluno, n\u00e3o apenas o professor.\u00a0A cultura cria o sistema.\u00a0A esperan\u00e7a \u00e9 que os pa\u00edses possam encontrar a determina\u00e7\u00e3o e a vontade de mudar a sua pr\u00f3pria cultura &#8211; um pai, um estudante e um professor de cada vez.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ideas.ted.com\/author\/amy-s-choi\/\"><strong><em>Amy S. Choi<\/em><\/strong><\/a><em>\u00a0\u00e9 uma jornalista, escritora e editora freelancer do Brooklyn, N.Y. \u00c9 co-fundadora e diretora editorial da The Mash-Up Americans, uma empresa de m\u00eddia e consultoria que examina a vida moderna multidimensional dos EUA.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinquenta anos atr\u00e1s, tanto a Cor\u00e9ia do Sul quanto a Finl\u00e2ndia tinham sistemas educacionais terr\u00edveis.\u00a0A Finl\u00e2ndia estava em risco de se tornar o \u201centeado\u201d econ\u00f4mico da Europa e a Cor\u00e9ia do Sul havia sido devastada pela guerra civil.\u00a0No entanto, ao longo do \u00faltimo meio s\u00e9culo, ambos transformaram suas escolas e agora s\u00e3o aclamados internacionalmente por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4402,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[20,24,36,16],"class_list":["post-12521","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blogmundomaker","tag-bem-estar","tag-criatividade","tag-cultura","tag-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12521"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12521\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bayerlstudio.com.br\/mundomaker\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}